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NOTÍCIA

Brasil começa a aproveitar seu potencial de energia solar

A geração de energia solar cresce e traz economia na conta de luz de residências e empresas — mas o potencial no país está longe de ser explorado

Em Janaúba, no Norte de Minas Gerais, a agropecuária é a principal atividade econômica da cidade de 70 000 habitantes. Ali a fruticultura, a soja e a pecuária vêm sendo castigadas pela maior seca da história na região. Localizada no semiárido mineiro e sob um sol inclemente durante boa parte do ano, com temperatura média de 33 graus, Janaúba faz parte do chamado Polígono das Secas. Mas o sol forte que bate ali, antes visto apenas como um infortúnio que só agrava a falta de chuva no lugar, virou uma oportunidade aos olhos de investidores. Agora, parte das pastagens improdutivas da região é fonte de renda para os pecuaristas, que arrendam suas terras para empresas que querem gerar energia solar.

Hoje, as companhias que estão investindo em fazendas de painéis fotovoltaicos miram a redução dos gastos com a conta de luz. É o caso da combalida gigante das telecomunicações Oi, que está construindo duas fazendas solares, uma em Janaúba e outra na também mineira Capitão Enéas, em paralelo às tentativas de colocar de pé seu plano de reestruturação. Cada uma das fazendas tem capacidade de geração de 5 megawatts, energia suficiente para abastecer 10.000 residências por mês.

O maior impulso para esse mercado, porém, veio com o aumento das tarifas de energia. Desde 2012, o reajuste médio do preço da energia no país foi de 44%, acima da inflação de 36% registrada no período. Enquanto isso, o avanço da tecnologia de produção dos equipamentos fez o preço cair 80% na última década em todo o mundo e tornou a conta ainda mais vantajosa. Hoje, a instalação de quatro painéis solares com capacidade total de 1,25 megawatt (o suficiente para suprir as necessidades de uma família de quatro pessoas) custa 15.000 reais. Em 2015, era de 30.000 reais.

O mercado já se prepara para uma popularização. Há no país cerca de 3 000 empresas: são comercializadoras, projetistas e instaladoras de sistemas fotovoltaicos, atuando em modelos diversos. O aumento da demanda não foi suficiente para dar forma a uma indústria nacional de painéis fotovoltaicos. São poucas as fabricantes no país, já que há isenção de impostos para a importação de um painel completo — mas não para peças, o que gera uma desvantagem tributária de 30%.